ANTONIO  PELLARIN
A SAGA DE UM IMIGRANTE  ITALIANO


EXPLICAÇÃO  NECESSÁRIA

Não pretendemos, nem somos capazes, de escrever a história da família Pellarin no Brasil.  Move-nos apenas o desejo de registrar alguns aspectos da vida de Antonio Pellarin e Lúcia Marcolin, nossos avós paternos, e de Luiz, seu filho caçula e sua esposa Olga Gardenal, nossos pais.
Nosso propósito é preservar os relatos orais feitos por nossos pais, para que Cristina e Maurício, nossos filhos, e Felipe e Thiago, nossos netos, possam conhecer um pouco da sua própria história.


A  CRISE SOCIAL E ECONÔMICA DA ITÁLIA NA SEGUNDA METADE DO
SÉCULO XIX
" Plantamos e ceifamos o trigo mas não comemos o pão;
cultivamos a videira mas não bebemos o vinho;
criamos o animal mas não comemos a carne;
por isso deixamos nossa Pátria !
Mas é realmente uma Pátria a terra em que não se consegue viver do seu próprio trabalho ? "

Esse desabafo de um imigrante italiano anônimo, mostra de maneira eloqüente a situação de desespero de boa parte da população italiana do campo.
E a esse povo sem esperança chegou a notícia, veiculada pelo governo do Estado de São Paulo, de que o Brasil estava oferecendo oportunidade de trabalho e vida digna à trabalhadores rurais italianos, com gratuidade de transporte e garantia de contrato de trabalho.
Estávamos na segunda metade do século XIX: com a proibição do tráfico de escravos africanos, a reposição da mão-de-obra rural para a lavoura do café ficara muito custosa... Além de que a abolição da escravatura pela Lei Áurea era iminente...
Final de 1887...  Na pequena Sequals, povoado da Província de Pordenone, no norte da Itália, dois chefes de família, primos ou irmãos, não sabemos ao certo, ambos de sobrenome Pellarin, Antonio, 36 anos, e Giuseppe, 45, decidem emigrar para o Brasil com suas famílias.  Foi, com certeza, uma decisão difícil...
Deixar para trás amigos e parentes; abandonar, seguramente para sempre, a terra de seus antepassados... e enfrentar os desafios de um mundo novo, desconhecido e longínquo...
O Natal daquele ano foi triste...  A grande família Pellarin, toda ela vivendo naquele pequeno povoado desde sua origem, começava a se dispersar...
Antes da missa do galo, último passeio pelo centro da vila.  Na igreja de Santo Andréa Apóstolo, a última missa e derradeira reverência ao Santo, cuja imagem fora esculpida por um membro da família, o artesão Pietro Pellarin, de saudosa memória.
Na saída da igreja, a despedida e recomendações dos amigos e parentes, inclusive da tia Regina e seu marido, tio Bartolomeo Carnera, cujo neto, Primo Carnera, se tornaria o cidadão mais famoso de Sequals, por conquistar o titulo de campeão mundial de boxe.  Mas esta é uma outra história...

Os primeiros dias de janeiro foram utilizados para os diversos preparativos de viagem, alguns deles dolorosos.  É sempre muito triste se desfazer das nossas coisas. O cão, companheiro silencioso, os passarinhos de cuidados diários, a vaca "Bergamota", que com seu leite ajudara a alimentar os filhos... o gramofone... o berço construído para a primeira filha e agora servindo ao pequeno Emílio...  Pequenas coisas preciosas deixadas para trás.
A bagagem tem que ser mínima, apenas roupas e ferramentas.  No bornal de cada um as lembranças preferidas: a boneca de pano, os "santinhos" ganhos no catecismo, o canivete pra picar o fumo e esticar a palha, a binga, o terço....

Brasil, São Paulo, Santos, 5 de fevereiro de 1888.
Depois de longa e desconfortável viagem, o navio "Carlo R" finalmente atraca no porto de Santos.  Os passageiros imigrantes são encaminhados para a estação ferroviária e embarcados com destino a São Paulo.  Na hospedaria dos imigrantes, a fila para a primeira refeição na nova Pátria.  Que comida estranha !!!
Após o almoço nova fila, para o registro.
-
Nome ?
- Antonio Pellarin
-
Idade ?
- 36 anos.
-
Profissão ?
- Agricultor.
-
De onde você veio ?
- Sequals, Itália.
-
Esposa e filhos, nome e idade de cada um.
- Lúcia, 36; Elisabetta, 9; Emília, 5; Ermenegildo, 3 e Emílio,  1.  O pequeno tá com
   febre, adoeceu na viagem, o que eu faço ?
-
Leva na enfermaria.  Terceira porta a esquerda.
-
O próximo !!!
- Giuseppe Pellarin, 45 anos, agricultor.
-
São parentes ?
- Somos.
-
Nome e idade dos outros.
- Cecília, 41; Teresa, 16; Puríssima, 13 e Maria, 8.
-
O próximo !!!

Feito o registro, as famílias eram encaminhadas para os prepostos dos fazendeiros, que cuidariam do translado dos contratados para as fazendas de café, quase todas no noroeste paulista.
Antonio e Giuseppe queriam ir para a mesma fazenda; assim suas famílias ficariam juntas. Mas não foi possível... O fazendeiro que contratou Antonio não aceitou contratar Giuseppe por ele só ter filhas.  Mais uma separação.  Agora o sentimento de solidão se completa... O que mais de pior poderia ainda acontecer ?
Contratados  os colonos, o preposto tinha pressa em conduzi-los para a fazenda, localizada nas proximidades de Batatais, no local onde surgiria, alguns anos depois, a cidade de Brodowski. O extravio da bagagem de Antonio, do navio para a hospedaria, poderia retardar a partida da comitiva.  A solução foi Lúcia seguir com os filhos e Antonio ficar na hospedaria mais alguns dias, até a chegada da bagagem, e  viajar para Sertãozinho com a próxima caravana.

Lucia seguiu sozinha com os filhos:  Elisa de 9 anos, Emilia de 5,  Ermenegildo de 3 e, no colo e doente, o pequeno Emílio,  de apenas um ano. A vida estava exigindo demais dessa pobre criatura. Na fazenda, na pequena casinha que lhe fora destinada, trancou-se com os filhos à espera do marido e com medo de algumas pessoas muito estranhas, que viu no lugar, com a péle negra e os cabelos parecidos com carrapichos.  Na pequena Sequals, onde nasceu e viveu até os 38 anos,  nunca tinha visto uma pessoa negra...
E foi uma velha senhora  negra, ex-escrava da fazenda, que lhe deu ajuda, inclusive no enterro do pequeno Emílio...

Como não conseguira ser contratado como colono (além de só ter filhas tinha um defeito físico - era coxo, manco de uma perna), Giuseppe resolveu tentar a vida na própria cidade de São Paulo.  Antonio nunca mais dele teve notícia.  Soube apenas que morava num cortiço da rua Caetano Pinto e que ganhava a vida trabalhando como sapateiro.  Coitado... pelo menos trabalhava sentado...
Reencontrada a bagagem, Antonio parte para junto da família, muito preocupado com o caçula Emílio que, sabia, não estava bem.  Quase chegando na colônia, avistou um cavaleiro carregando na garupa um pequeno caixão.  Receoso e angustiado Antonio pergunta  "se é dos Pelarin".
"
Não", responde o cavaleiro... "O anjinho dos Pelarin... eu enterrei ontem..."
A morte de Emílio foi muito sentida, particularmente por sua irmã Emília, então com cinco anos de idade.  Ele sempre fora seu irmão preferido.  Na falta de boneca, Emílio era o seu brinquedo e, embora  pequena, tomou  para  si  a  responsabilidade de cuidar  dele:  o banho, a alimentação, o sono... e todas as vontades.  Ela se deu toda para ele... e agora  se  sentia  só...
Esse amor pelo irmão e sua lembrança acompanharia Emília por toda  vida.  Toda criança lhe trazia a lembrança de  Emílio.
Já adulta, foi  para o pequeno sobrinho  Pedro, filho de seu irmão Luiz,  que transferiu  todo aquele amor... E  foi também  para  ele que guardou  seu último e derradeiro suspiro, numa madrugada fria de julho de 1943...
A chegada de Antonio à Fazenda Esperança, de propriedade de um barão do café,  foi de infinita tristeza.  Aos trinta e seis anos, perde o  filho caçula.  O sentimento de culpa e de impotência foi muito grande. Desde que saíra de Sequals, parecia ter perdido a capacidade de decisão.  As coisas aconteciam  e ele já não tinha o controle sobre elas.
Doía-lhe, sobretudo, não estar presente em momento tão dramático vivido por  Lúcia.
No fim da tarde do dia da chegada,  Antonio reúne a família para uma visita ao cemitério do lugarejo , onde, dias antes, o pequeno Emílio tinha sido enterrado.  Numa pequena elevação, contornado pela plantação de café, um espaço fora outrora reservado como cemitério dos escravos  da fazenda.  À partir de agora, passaria a servir também às famílias dos  colonos.  Emílio talvez tenha sido o primeiro "branco" naquele campo santo de "negros".
Uma cerca tosca de galhos de arbustos delimitava o local.  No seu interior, frondosas árvores ofereciam agradável sombra.  Em quase todas as covas a vegetação escondia  as pequenas cruzes. 
Na de Emílio, ainda sem cruz, na terra ainda fofa, as flores silvestres trazidas por Emília. De mãos dadas com os filhos, Lúcia e Antonio rezam, em silêncio, pela alma do filho.
No caminho de volta para casa, a família pára para conhecer a pequena capela do lugar.  Ajoelhado em nova oração,  Antonio suplica forças para poder sustentar a família com decência e dignidade.

Como todos os colonos, a família de Antonio cuidaria, pelo regime de meação, de 10 mil pés de café.  Era uma trabalho duro e envolvia toda a família;  até os pequenos tinham suas obrigações diárias:  Elisa, como chamavam Elisabeta, 9 anos, ajudava o pai no cafezal;  Emília, 5 anos, cuidava do irmão  Ermenegildo  e Lúcia dos afazeres domésticos e da pequena horta, de onde colhia quase toda alimentação diária necessária à família.  As compras no "armazém" da fazenda, com anotação na "caderneta", eram quinzenais e restritas ao essencial: sal,  açúcar, farinha e, vez ou outra, uma guloseima para as crianças.
Pelo regime de meação, feita a colheita, o colono tinha direito a metade do café produzido sob seus cuidados.  As despesas com o beneficiamento dos grãos e sua comercialização eram providas pelo fazendeiro e descontadas dos colonos quando do acerto final.  Também eram descontadas todas as compras feitas nos armazéns da fazenda e os eventuais adiantamentos em dinheiro.
Para a família de Antonio, 88 não foi um ano bom:  perdeu o caçula e, apesar de muito trabalho, o ganho do ano foi muito pouco, descontadas as despesas feitas no armazém e pagos os adiantamentos tomados ao fazendeiro. Mas, embora pequeno, o fruto do trabalho da família fora maior que o consumido.  E isso era importante, porque era com essa diferença, com essa sobra, que alimentavam o sonho de um dia poderem ter um pedacinho de terra.  E eles foram atrás desse sonho, com muito trabalho, 12 horas por dia, 7 dias por semana.
Antonio percebeu que poderia diminuir os gastos no armazém se ampliasse e diversificasse a produção da horta e, mais ainda, se passasse a trocar com os outros colonos o excedente da produção familiar.  E assim foi feito e foi bom para todos.
Açúcar preto, rapadura, sabão, manteiga, queijos, farinha de mandioca, farinha de milho, embutidos diversos passaram a ser produzidos pelos colonos e trocados entre eles.
O tempo passa... A família cresce...
Em 1889 nasce Luiza, o primeiro da geração dos brasileiros e, num procriar contínuo, Genoveva 90, João 92, Maria I 93, Dezolina, 95, Ângela 96, Luiz 97 e Maria 1900.
Aos poucos a situação vai melhorando. Os "bambini", muito cedo trocam os toscos brinquedos pela enxada e pelo rastelo. Esse reforço na mão-de-obra resulta num aumento da produção. O "sonho" parece realizável. Existe algo de concreto, crescendo aos poucos, debaixo daquele colchão de palha.
1912. Depois de 24 anos de muito trabalho, a família Pelarin reúne o necessário para a realização do grande sonho, por muitos anos perseguido: ter sua própria terra, plantar, colher e ficar integralmente com o fruto de seu trabalho, deixar de dividi-lo com o dono da terra.
A idade de cada um em 1912:
Antonio         60     -     Lúcia              62    -    Elisa         33
Emília            29     -     Ermenegildo   27   -    João          20
Dezolina        17     -     Genoveva        22   -     Luiza         23
Ângela           16     -     Luiz                15   -     Maria         12

As terras disponíveis na região eram muito caras, muito além da economia que conseguiram até então acumular.  A solução foi procurar glebas mais distantes, em regiões recém abertas à colonização.     
A construção da Estrada de Ferro Noroeste, de Bauru ao Estado de Mato Grosso, estava desbravando o noroeste paulista. Ao longo da linha férrea, alguns "canteiros de obra" deram origem a pequenos povoados.  A 20 quilômetros de Penápolis, num desses alojamentos de trabalhadores ferroviários, desenvolveu-se o povoado de Birigüí.
Para povoar e desenvolver a região, um grupo de empreendedores de Bauru, Rio Preto e Ribeirão Preto fundaram uma empresa colonizadora e começaram a vender glebas de terra ainda virgem, para serem exploradas com pecuária e agricultura.  O  preço do alqueire e. mais ainda, a facilidade de pagamento, com parcelas anuais, compensavam o enorme trabalho de tornar agricultável aquela terra de mata virgem.
E foi assim, como desbravadores, que os Pelarin, de Sequals e de Sertãozinho, italianos e brasileiros, se tornaram proprietários rurais livres, senhores de seus destinos.
Da região de Ribeirão Preto, outras famílias de colonos italianos também compraram terras em Birigüí, e entre eles os irmãos Pedro e Francisco Gardenal.  Amigos, os laços se estreitam com o namoro e casamento de Luiz, filho de Antonio Pelarin, com Olga, filha de Pedro Gardenal. Os laços se estreitam ainda mais com o casamento de Luiza, também filha de Antonio, com Antonio Gardenal, filho de Francisco Gardenal.
A filha mais velha de Antonio e Lúcia, Elizabetta, casou, ainda em Sertãozinho, com João Comarin e ficou morando em Ribeirão Preto.
Ermenegildo também casou em Sertãozinho, com Justina, e já tinha seus dois primeiros filhos, Antonieta e Angelin, quando, em 1912, acompanhou a família na mudança para Birigüí.
Como todos os membros da família trabalhavam na lavoura, era comum, quando os homens se casassem, continuarem trabalhando e vivendo na mesma casa, com suas esposas e filhos. Assim, a grande família não parava de crescer e a casa também crescia com a construção de mais cômodos, o tradicional "puxadinho".
Era comum, também, que a grande família tivesse um chefe e sua "primeira dama", e na falta do pai, era o filho mais velho que assumia o encargo de administrar os afazeres na lavoura e a "prima dona" os serviços domésticos.
Com o falecimento de Antonio e o casamento das filhas - Dezolina com Ambrosio Ferro, Luiza com Antonio Gardenal, Ângela com Antonio Pinton e Maria com João Farina - permaneciam no sítio, trabalhando e morando na mesma casa:
.  A mãe Lúcia
.  Emília, já solteirona
.  Ermenegildo e Giustina já com quatro filhos
.  João e Carolina com seus primeiros quatro filhos
.  Luiz e Olga Gardenal, recém casados

LUIZ PELARIN - AS TRAVESSURAS DA INFÂNCIA

Luiz foi na sua infância "um irmão caçula muito mimado". A irmã Elisa já tinha 18 anos; Emília 14, Luiza 8, Genoveva 7 e Dezolina 2.  Para as irmãs, era o "reizinho" da casa e, muito paparicado, cresceu malcriado. Quando Lúcia cozinhava batatas doce, o pequeno Luiz escolhia para si as mais bonitas, ainda na panela, espetando nelas um graveto. No almoço em casa com as irmãs (os adultos normalmente almoçavam no roçado), muitas vezes o "pentelho" ficava brincando com os talheres em baixo da mesa e só com muita conversa os liberava.
Certa feita, já molecote, em represália a uma bronca da irmã Luiza, teve a "pachorra" de trazer de longe uma carcaça putrefata de um animal para colocar no baú onde a irmã guardava as peças já elaboradas de seu enxoval.
Mil travessuras, merecedoras de boas palmadas, não fosse o silêncio protetor das irmãs. Tinha no entanto um bom coração e estava sempre a disposição para ajudar as pessoas quando necessário.
Em setembro de 1921 Luiz casa com Olga Gardenal, ele com 24 anos, ela com 18. Durante um ano o casal mora no sítio dos Pelarin, com a mãe, os irmãos e as cunhadas de Luiz.
Ao contrário das cunhadas Giustina e Carolina, que sempre viveram e trabalharam na roça, Olga era moça que sempre vivera na cidade, quer em Ribeirão Preto onde nasceu, quer em Birigüí para onde sua família se mudou; e embora fosse de família de sitiante, nunca tinha trabalhado na roça, nunca tinha pego na enxada.
Moça muito prendada, desde muito cedo desenvolvera grande habilidade com a máquina de costura de sua mãe. Das roupas de bonecas para os vestidos das irmãs e das vizinhas foi um pulo. Ainda solteira, foi com o dinheiro que ganhou costurando que comprou sua primeira máquina de costura e todo seu enxoval.
No sítio havia dois tipos de trabalho: os afazeres domésticos, que incluíam os cuidados com a horta e com os animais, e o trabalho pesado na roça. Por imposição de Justina, então "primeira dama", foi para o trabalho na roça que Olga foi encaminhada. Mas foi por pouco tempo, pois logo depois Luiz compra seu próprio sítio.
No sítio no "Viadinho", em 1922, nasce Irineu, o primogênito de Luiz e Olga que - talvez pelo excesso de comemorações nos botecos do caminho do sítio ao cartório - acabou sendo registrado como "Arineu". A respeito dos botecos, conta-se que quando Irineu, já molecote, saia com o cavalo do pai, este, já acostumado, parava em todos os botecos do percurso.

Othilia nasce em 24 e falece seis meses depois. Em sua lembrança, seu nome é dado à próxima filha, que nasce em 1925.

Geny nasce em 27 e Ivar em 29. O sitio no "Viadinho" foi fértil.
Emília, que vem morar com o irmão e a cunhada Olga no novo sítio, ajuda nos afazeres domésticos e nos cuidados com as crianças.
A crise econômica de 1929 chega em Birigüí. O preço do café cai tanto, que fica inferior ao frete cobrado para transporta-lo ao porto de Santos. Desanimado e sem recursos para continuar, Luiz vende o sítio, muda com a família para a cidade e inicia uma nova jornada, agora como assalariado.

OLGA  GARDENAL - UMA BATALHADORA

Olga, que mesmo morando no sítio, costurava para algumas famílias da cidade, expande seu trabalho e passa efetivamente a ajudar na manutenção da família. Felizmente, serviço não lhe falta e disposição para enfrentá-lo, menos ainda.
Na rua Nove de Julho, onde moravam, num grande terreno sem construção, periodicamente eram montado os circos que se apresentavam na cidade. Nessas ocasiões, Olga alugava para o pessoal do circo os dois cômodos que tinha nos fundos de sua casa. Além disso, costumava "ajustar" as roupas utilizadas nos espetáculos.
Para Olga e Luiz era um dinheirinho extra. Para as crianças, os bilhetes de cortesia e, às vezes, principalmente para Geny e Otília, a oportunidade de se apresentarem como figurantes nos dramalhões dominicais.
E foi assim que "A Rainha de Sabá", "O Conde de Monte Cristo", "Sansão e Dalila", "Paixão e Morte de Jesus" e outras peças da dramaturgia circense, tiveram a oportunidade de contar com as participações especiais das irmãs Geny e Otilia, que na época se espelhavam no trabalho da artista do cinema americano Diana Durblin.
Setembro de 1935. Depois de seis anos de intervalo, nasce o caçula Pedrinho, raspa do tacho. Cuidado pelas irmãs, Otilia, 11, Geny, 9 e protegido pela tia Emília, que lhe fazia todas as vontades - tinha tudo para crescer veado. Senão chegou a tanto, foi com certeza  por influência das irmãs e da tia que se  tornou um jovem bondoso, "ranheta", teimoso, equilibrado e sensível.
Logo após o nascimento do caçula, a família muda da rua Nove de Julho para uma casa maior, na João Galo, esquina com Tamoios. Lá, as atividades de Olga com a costura se amplia. À maneira dos artesões da Idade Média, admite aprendizes e, ao mesmo tempo em que atende sua clientela, passa a difundir sua arte. Sua oficina transforma-se em escola de corte e costura.
Novas máquinas de costura foram adquiridas e um acordo com uma editora de São Paulo provê a escola de um método próprio, do qual Olga passa a ser a representante na região. Franquia ??? Talvez o bisavô do método comercial que iria desabrochar 50 anos depois.
Absorvida pelas atividades profissionais, Olga delega os afazeres domésticos para a cunhada Emília e para as filhas. Lourdes, a filha de criação, era uma das aprendizes e ajudava na oficina.
Aos sábados, a rotina de todos da casa se alterava. Como moravam a três quadras da igreja matriz, era de lá que as noivas que moravam nos sítios saiam para a igreja. Era lá que se preparavam para o grande momento: banho ou apenas os pés, penteado e esmalte nas unhas com o auxilio de Otília e Geny, o baton, o rouge, o ajuste final no vestido... O "dia da noiva" ??? O método moderno de marketing de "suplantar as expectativas dos clientes" ??? Nem uma coisa nem outra. Apenas o desejo sincero de ajudar as pessoas...
O quintal da nova casa na rua João Galo era enorme. Além de um  pomar com mangueira, abacateiro, laranjeira e goiabeira, em cujos galhos dormiam as galinhas da casa, havia nos fundos uma pequena casa onde veio morar mais tarde o sobrinho de Luiz, Angelim, sua esposa Amélia e as filhas Cecília e Ivone, mais ou menos da mesma idade que o caçula Pedrinho. Havia também uma área coberta, do lado direito do quintal, que servia de garagem para uma "jardineira" velha, abandonada pelo antigo morador. Era nela que Ivar e Pedrinho, Cecília e Ivone passavam parte do tempo "apreendendo a dirigir", ou "chouferar", como se dizia então.
Angelin era carroceiro. Fazia pequenos carretos com sua carroça, movida com a  "força motriz" de um belo cavalo, "abastecido" com  cana caiana que Pedrinho ajudava a picar.                     
Sempre no ramo de transporte, bem mais tarde Angelin troca a carroça por um belo caminhão, o velho cavalo por um potente motor de muitos agapês e a cana caiana por óleo diesel... E troca também de cenário: as ruas e vielas de Birigüi pelas estradas deste e de outros Estados brasileiros.
Enquanto Olga trabalhava, costurando e ensinado suas aprendizes, Luiz, até então lavrador, sem profissão definida, experimenta diversas atividades: vendedor ambulante de frutas, legumes e verduras, guarda-noturno, operador de máquina de beneficiar café e arroz e em serrarias, como operador de máquina de serrar toras, onde trabalhou por mais de trinta anos.

O ENCANTO POR SÃO PAULO

Olga esteve em São Paulo em duas ocasiões: num Congresso Eucarístico que participou e, numa situação aflitiva, quando trouxe a filha mais velha Otilia para ser operada da apêndice, na Santa Casa de Misericórdia. Naquela época, qualquer moléstia mais grave tinha que ser tratada na Capital.
Olga adorou a cidade e acreditava que, nela, o futuro dos filhos seria melhor que em Birigüi, que pouca oportunidade de estudo e trabalho oferecia, na época, à seus jovens.
A oportunidade de mudança  para a Capital surgiu por acaso. José de Freitas - para quem Luiz trabalhava já há alguns anos na fabrica de beneficiar arroz, e a quem conquistara simpatia e amizade por sua seriedade e dedicação ao trabalho - precisava de "um pau prá toda obra", que ajudasse seu filho, engenheiro da Capital, na construção de casas na Penha de França, bairro na longínqua zona leste. Convida Luiz que, incentivado pela esposa, aceita e passa a trabalhar em São Paulo, morando na obra e visitando a família esporadicamente.
Terminada a construção das casas na Vila Lafemina, no bairro da Penha, zona leste da capital paulista, Luiz passa a trabalhar na serraria da família Freitas, no bairro da Barra Funda, à margem da estrada de ferro. Dormia no próprio trabalho e era na máquina de escrever do escritório, à noite, que escrevia as cartas para a família em Birigüi. Numa delas comunicava que havia alugado uma das casas construídas na Rua Concheta Lafemina, a de número 28, e que Olga poderia providenciar a mudança.
Providenciar uma mudança, naquela época e àquela distância, não era apenas contratar uma empresa transportadora, como "A Luzitana" por exemplo. Todos os móveis tiveram que ser vendidos ou doados, e as coisas miúdas, como panelas, louças, roupas, lençóis e toalhas, embalados para o transporte ferroviário. E assim foi feito.
Irineu, já casado com Isolina Peruzzo, ajudou na embalagem com os engradados que fez na marcenaria onde trabalhava.
Véspera da partida. Olga passa o dia todo se despedindo dos parentes. À noite prepara a comida para a viagem: pedaços de frango com farofa, pão caseiro e frutas. Coloca tudo em duas caixas de sapatos e as envolve em panos de prato. Malas e trouxas prontas, agora era dormir e levantar cedo para comprar as passagens e partir... e recomeçar... A vida, as vezes, parece ser um eterno recomeço.
A viagem de trem levou mais de 12 horas, com troca de comboio em Bauru, por causa das diferenças de bitola, que é a medida da distância entre os trilhos. Até Bauru a bitola é "estreita"; de Bauru à São Paulo é "larga". Daí a necessidade da baldeação, da troca de trens. Um transtorno para os passageiros que os construtores das estradas, certamente, não tinham bem avaliado.
A grandeza da cidade surpreendeu a todos. Fazia mais de meia hora que as primeiras casas apareceram através das janelas do trem e a estação não aparecia. Eram casas e mais casas; meia hora de trem de casas. Até então, durante a viagem, fora mais ou menos assim: mato, plantações, algumas construções, a estação, algumas construções, plantações, mato, e mato, até aparecer uma outra cidade. Agora era diferente: estavam viajando a quase meia hora, de trem, "dentro" da cidade.
Finalmente a Estação da Luz: imensa, majestosa, inteiramente coberta, fechada dos dois lados, muitos trilhos, uma grande passarela que ligava as três imensas plataformas.
Com seus vitrais coloridos, mais parecia uma catedral que uma estação de trem.
Na plataforma, Luiz esperava pela família. Pedrinho o avistou de longe, da janela do trem. E àquela distância e num espaço tão grande e do alto, seu pai, que sempre lhe pareceu um gigante, agora lhe parecia... tão pequeno.
Da estação para um hotel das imediações, onde Luiz já havia reservado 2 quartos e o jantar para 8 pessoas: risoto de frango, pão de padaria, refresco e goiabada com queijo.
Para as crianças,  tudo era novidade. Comer em  restaurante, dormir em hotel... Nossa, que luxo !!!
Na manhã seguinte à chegada, todos a caminho da Penha, de bonde, outra novidade, que Ivar e Pedro acharam parecido com a jardineira que tinham no quintal da casa em Birigüi. Roque Ciaco, cunhado de Olga, casado com sua irmã Julieta, viera de Santos, onde morava, para dar apoio na chegada e convencera Olga a deixar que levasse Otilia e Pedrinho para passar alguns dias na casa dele, até que as coisas se ajeitassem na nova casa.
Depois de quase uma hora de viagem de bonde, com baldeação na Praça da Sé para pegar o "Penha 29", a família chega na nova casa. Rua Concheta Lafemina, 28. Rua curta, sem saída, paralela a Avenida Celso Garcia, começando na rua Vila Lafemina e terminando numa via férrea. Cinco casas e uma pequena vila com seis casinhas do lado esquerdo e do lado direito da rua um terreno sem construção, que pertencia a Estrada de Ferro e que a criançada usava como campo de futebol. Separando a rua de terra do terreno baldio, uma valeta que conduzia a água da chuva e alguma água servida ao rio Aricanduva, que passava do outro lado da linha férrea.
A casa alugada para a família fazia parte de um conjunto de três casas térreas geminadas, a de número 24, 26 e a 28. O incompreensível para os novos moradores era o fato de, numa cidade tão grande, se construir casas em terrenos tão pequenos. Dois dormitório, sala, banheiro, cozinha e diminuto quintal, enfileirados, num terreno de 4x20 metros, com a porta de entrada e a janela do primeiro dormitório dando direto para a calçada, de  um metro de largura.
Apesar do pouco espaço, essa pequena casa passou a ser, para os parentes de Birigüí e Ribeirão Preto, ou a morada provisória para aqueles que pretendiam mudar e iam ficando até arrumarem emprego e alugarem uma casa, ou a ante-sala dos consultórios médicos e hospitais para aqueles que vinham para tratamento médico ou até de velório para alguns que infelizmente vieram a falecer. Com certeza, o coração de Olga era infinitamente maior que sua modesta casa.
Em momentos diferentes, se hospedaram por algum tempo:
. Maria, prima  de Olga, seu marido Sula e o filho Luizinho, de Ribeirão Preto;
. A prima Ida Parpinelli e seu companheiro "boiadeiro", também de Ribeirão;
. As sobrinhas Naufri Sebelin, filha da irmã Dezolina, Dainê e Deise Gardenal, filhas do irmão Romeu, Olanira del Neri, filha da irmã Albertina, Paulo Pelarin e sua esposa Augusta, filho e nora do cunhado João...
Também em épocas diversas, passaram algum tempo para tratamento médico:
. João Pelarin, cunhado; João Sebelin, concunhado; Rogério Del Neri, concunhado; Maria Pelarin Farina, cunhada e seu marido João Farina; Regina, cunhada, casada com o irmão Luiz...
Com pesar, Olga teve que usar sua sala como velório para a cunhada Emília, para o concunhado João Sebelin e para a cunhada Regina...
Normalmente era a filha Geny e mais tarde o filho Pedro que acompanhava os parentes, nos consultórios e hospitais, sempre de bonde. Somente em situações especialíssimas se davam ao luxo de um lotação.
A todos Olga recebia com enorme alegria e dedicação e nunca demonstrou, quer a Luiz, quer a seus filhos, qualquer atitude de contrariedade.
Ajudar parecia-lhe trazer felicidade e a contra-partida era a sincera afeição que todos os parentes demonstravam por ela.
No início só Luiz trabalhava, na serraria do Freitas, na Barra Funda, há quase duas horas de trajeto de dois bondes; o primeiro da Penha à Praça da Sé e o segundo da Praça do Correio, no Anhangabaú, à Barra Funda.
O recomeço profissional de Olga como costureira foi lento. As primeiras encomendas foram para a mulher e filhas do "Seu" Freitas, clientes desde Birigüí. Aos poucos foi sendo conhecida no bairro e devido ao seu excelente trabalho, acabou por conquistar um bom número de clientes;  mas isso demorou algum tempo.
Como o serviço de costura era quase nenhum, Otilia e Geny começaram a trabalhar fora, como ajudantes de costura, no atelier de doma Lavinia, na Avenida Celso Garcia, no Brás.
Ivar, então com 13 ou 14 anos, fazia o curso ginasial no Ateneu Rui Barbosa, na Penha e à tarde passou a trabalhar numa farmácia.  Pedrinho freqüentava o primário no Grupo Escolar "Santos Dumont", fazia as compras de aviamentos para a mãe, lavava a louça do almoço, aos sábados encerava e lavava os pisos e... brincava, agora com novos amigos. 
Alguns deles: Amadeu Scagliuse e seu primo "Fumé", cuja mãe, por certo tempo, forneceu comida em marmita para Olga; Douglas Meireles, da casa n. 26; Arcy, Celso e Jonas, filhos do sargento da Força Pública, moradores da vilinha ao lado; Lafaiete e Joaquim, irmãos que moravam numa das casas da Ligth; "Nenê" e seus dois irmãos, do fim da rua, a beira da elevação onde passava os trilhos do trem; Edgar e Milton Palma, também da vilinha e mais amigos de Ivar. 
Foi também na "Concheta Lafemina" que Pedrinho teve sua primeira "grande paixão": a menina Estela, moradora num bairro distante, mas agora em férias na casa de sua prima Lola, vizinha da família. Teve também sua primeira frustração romântica: pensou escrever p'ra ela o único versinho apropriado que conhecia - "Com S escrevo saudade, com R recordação. Com E escreve Estela, que guardo no coração". Frustração: na última hora descobriu que a grafia correta de seu nome era Stela, com o S já usado no versinho para "saudade". Única saída: rasgar e jogar fora o versinho mal escolhido.
Com Valquíria o caso foi "mais sério". Morava do outro lado da linha do trem, perto de um campo de futebol e iam juntos na matinê de domingo do cine "São Jorge". Foi dela que ganhou seu primeiro livro de "literatura": O Gato de Botas - presente que se perdeu numa das enchentes do rio Aricanduva que atingia sua casa. A enchente levou o livro... Um caminhão de mudança levou Valquíria para longe... Ficou a lembrança.
O tempo passa e, inexorável, leva a bondosa tia Emília, numa madrugada fria e triste de julho de 1943. Teve um enterro bastante simples, como simples fora em toda sua vida. Se a partida lhe trouxe angustia por se separar do "protegido" Pedrinho, seu sobrinho, por certo lhe trouxe alegria no reencontro com Emílio, seu dileto e inesquecível irmão...
43... 44... Alguns efeitos da Segunda Guerra na Europa chega ao Brasil, na forma de racionamento de alguns produtos essenciais, como o trigo e todos os derivados do petróleo, então sem nenhuma produção no país. Tempos difíceis...
Cartão de racionamento e fila "quilométrica" para a compra de um pão duro e escuro, com mais farinha de milho ou mandioca que de trigo, um "filão" por dia por família, com anotação no cartão na hora da compra.
O cartão era fornecido pela prefeitura e parecia um calendário mensal, com os dias impressos em pequenos quadradinhos. E a cada compra o padeiro perfurava o quadrado correspondente ao dia.
As filas eram um tormento... Fila para o pão... Até para o carvão. Era tanta fila que inventaram uma frase culpando o governo por elas: "Votou no Dutra ??? Fica na fila, seu filho da ... !!!"
Começo de 1944. Otilia conhece Jorge, um "turquinho", irmão de uma freguesa, a quem Olga fez o vestido de casamento. Namoro, noivado e núpcias, em setembro de 45, com lua-de-mel em Poços de Caldas, como era costume na época. Jorge é um homem bom. Bom filho... Bom pai... Bom esposo... Bom irmão... Bom cunhado... Bom tio... Bom avô... Que Deus o abençoe!
Geny conhece Antonio Carlos, o "coruja", num salão de baile no centro da cidade, onde costumava ir com a prima Naufri, então morando na casa da tia Olga. Paulista de Botucatu, Antonio morava em Pinheiros, Geny na Penha. Uma "distancia" de quase duas horas de bonde ou ônibus. Uma hora para cada um quando marcavam encontro no centro; duas horas só para ele quando vinha "filar a bóia" aos domingos. Dizia adorar a macarronada da sogra e tinha uma predileção especial por sua batata assada.
Gentil e educado, e um pouco "puxa saco" como todo bom vendedor, logo conquistou a simpatia de toda a família. Sempre deu muita atenção à Olga e Luiz, com quem jogava "bisca", "escopa de quinze" ou "buraco". Divertia-se com algumas expressões que os velhos diziam em "furlam", dialeto do norte da Itália, e com os exageros dos "causos" contados pelo sogro Luiz.
Generoso, Antonio Carlos repartiu conosco suas maiores alegrias, entre elas o nascimento de seus filhos Luis Carlos e Clarisse...
Tempos depois, solidários, dividimos com ele a dor e a tristeza da partida prematura e inesperada da nossa querida Geny... E de cunhado, Antonio passou a ser nosso irmão.

"LINGUAJAR TÍPICO DE LUIZ E OLGA PELARIN"

OLGA:

1."ESLA CANHOZ"  -pessoa com muco que escorre do nariz ("ranho")
2."ESGARBELOZ"  -  idem, com remela nos olhos a ponto de fechá-los
3."QUE ROBES DE METTERE IL (?) DEDO AL CULO E SCHAFOIAR-SE"  -  que vontade de meter o meu dedo no teu cu e te afogar!
4."PARON"  -  Barão (falado em tom de deboche a uma ou de outra pessoa)
5."SACRATOMER"  -  indivíduo sem classificação moral alguma
6."BOLO DAL NIENTE"  -  cara que não é ninguém, ou muito besta
7."PIMENTÓN" , "PON", "MACARRON"  -  todas as palavras terminadas em "ão" ela      pronunciava "on".
8."FENÕMETRO"  -  Fenômeno
LUIZ:
1."CAPRICIOSO"  -  caprichoso
2."ALPALTO"  -  asfalto com -ph)
3."SANDUVICHE"  -  sanduíche
4." HELICOPT
ÉRO)  -  helicóptero
5."SEMPÁTICO"  -  simpático
6."ANTEPÁTICO"  -  antipático
7."DIO PORCO", "DIO CANE", "PORCO DIO", "PORCO CRISTO" , "DIO CRISTO"

"EXAGEROS DE LUIZ" (casos narrados por ele)
SINOPSE:   
Olga pede a Luiz entregar um vestido de uma freguesa em SANTOS.
Luiz vai, mas, antes de tomar o ônibus, toma "um pouquinho de cerveja" .
No ônibus, na VIA ANCHIETA, e no começo da descida da serra, sente vontade de "tirar a água do joelho".
O ônibus não tinha toalete
O motorista não quer parar
Luiz ameaça, em voz alta,  urinar dentro do ônibus
O motorista pára.  Luiz desce ...
E faz xixi, não atrás, mas na frente do ônibus, porque, segundo suas palavras, o motorista "deixa-lo-ia" a pé se urinasse atrás do veículo...
Luiz conta que urinou tanto, mas tanto mesmo, que o xixi escorreu pelo "ASPALTO" até o COMEÇO DA BAIXADA SANTISTA !!!!!!
OUTRO EXAGERO:
" Pé de mandioca em um jardim de uma casa em Birigüí, que chegava até o telhado!!!!"  (Dona Olga bronqueava com ele quando contava os exageros dele.)

Irineu casou ainda muito moço com Isolina Peruzzo, quando a família ainda morava em Birigüí. Na verdade, a decisão de mudar para São Paulo, parece ter precipitado o casamento: como era costume no lugar e na época, ele "fugiu" com ela.
Luci, a primeira filha nasce em Birigüí e ainda bebê é levada a São Paulo para ser batizada e conhecer os avós e os tios. Foi uma festa! Mereceu até uma foto no estúdio, com toda a família reunida. As "gracinhas" que o fotógrafo fazia, para que a pequenina Luci olhasse para a câmara, provocava o riso dos adultos, o que atrasou a finalização e deixou muito zangado o avô Luiz, incomodado de ficar muito tempo imóvel na mesma posição.  A foto registrou sua "carranca".
Irineu decide tentar a vida em Londrina, cidade nova no norte do Paraná. E com a ajuda dos pais e o apoio do tio Rômulo Ferro, já lá estabelecido, monta sua pequena marcenaria, que aos poucos se transforma numa pequena fábrica de móveis, a 'FÁBRICA DE MOVEIS SÃO CARLOS' em homenagem a seu primeiro filho londrinense, Carlos Adalberto, o "Chuca".

Irineu viveu intensamente os trinta e três anos que Deus lhe reservou aqui na terra. Trabalhou, teve seis filhos, caçou, pescou, fez tudo do que gostava. Mas nos deixou muito cedo. E coube a Isolina, uma mulher forte e corajosa, cuidar e educar os seis filhos, todos ainda menores. E fez isso com muito sacrifício e enorme competência... Os "filhos da viúva" se tornaram adultos equilibrados, honrados e dignos, e exemplos para seus netos.
Depois de tirar o diploma do curso ginasial no "Ateneu Rui Barbosa", Ivar fez o curso de eletricista na Escola Profissional Getulio Vargas, na rua Piratininga, no Braz. Terminado o curso, trabalhou alguns anos na "Néon Brasil", fábrica de luminosos, na Rua da Liberdade.
Mais tarde abre, também com a ajuda dos pais, uma loja de material elétrico, "Eletro São Luiz", na Av. Celso Garcia, Parque São Jorge. É nessa pequena loja que o caçula Pedrinho começa sua vida profissional, atendendo clientes e ajudando Ivar nos serviços de eletricidade. As vendas "no atacado" são entregues por ele... De bicicleta...
Com a mudança da loja para o Tatuapé, na mesma avenida, o ramo do negócio é ampliado com artigos para o lar e artigos para presentes. A família (Luiz, Olga, Ivar e Pedro) passa a residir na casa nos fundos da loja.
Já no primeiro colegial (Clássico), é no novo bairro que Pedro passa a conviver com novos amigos: Oswaldo Macedo, Waldemar Basílio e João Carlos Martucci, filho de dona Anunciata, especialista em arroz papa. Amizade intensa e duradoura.
Na música  "A Lista", Oswaldo Montenegro pede para você fazer um lista dos velhos amigos, quem você mais via há 10 anos atrás. E pergunta quantos você ainda vê todo dia e quantos você já não encontra mais...
Dema, João Carlos e Pedro se conheceram há mais de cinqüenta anos... Já não se vêem todos os dias... Mas continuam se querendo como irmãos...

Depois de 4 anos no Tatuapé, a loja é vendida e Ivar tenta abrir em Londrina um "Escritório de Representações". Não deu certo. Então, com o apoio do irmão Irineu, abriu uma loja de moveis em Ibiporã, próximo de Londrina.
Em Ibiporã Ivar conhece Maria, moça simples, de uma família de sitiantes. O casamento acontece logo, e pouco tempo depois da morte repentina de Irineu, o novo casal transfere-se para São Paulo, onde a família começa a crescer: Cláudio, Cláudia, Luiz Cláudio, Ricardo, Pedro e Aninha. Seis no total. Hoje, adultos honrados e dignos.

De Pedrinho, o caçula de Luiz e Olga, pouco se sabe, apenas que foi uma pessoa de muita sorte:

                                        -  Nasceu nesta família
                                        -  Conheceu e se casou com Gilena
                                        -  Teve dois filhos maravilhosos
Vá ter sorte assim na ...



EXPLICAÇÃO FINAL

A história da família Pellarin não termina aqui. E queira  Deus que não termine nunca.
Como no teatro, foi apenas um ato que chega ao fim. Outros virão com certeza, e com elenco renovado


_______________________________________________________________________________


ELENCO  DO  PRIMEIRO  ATO

                                     OS PAIS    OS FILHOS

                              GIOVANI PELLARIN / DOMENICA MIN   =  ANTONIO  PELLARIN  (1852-1930)

                             LUIGI MARCOLIN / ANGELA CALDERAN   =  LUCIA MARCOLIN  (1850-1945)

                          ANTONIO PELLARIN / LUCIA MARCOLIN   =  ELIZABETTA  (1879-19   )
                                                                                                     EMILIA  (1883-1943)
                                                                                                     ERMENEGILDO  (1885-1976)
                                                                                                     EMILIO  (1887-1888)
                                                                                                     LUIZA  (1889-19   )
                                                                                                     GENOVEVA  (1890-1927)
                                                                                                     JOÃO  (1892-19   )
                                                                                                     MARIA  (1893-189  )
                                                                                                     DEZOLINA  (1895-19   )
                                                                                                     ANGELA  (1896-19   )
                                                                                                      LUIZ  (1897-1980)
                                                                                                     MARIA  (1900-1991)

                         ELIZABETTA PELLARIN / JOÃO COMARIN  =  RICARDO
                                                                                                     SANTO
                                                                                                     ORLANDO
                                                                                                     LUIZ
                                                                                                     HELENA
                                                                                                     LUCIA
                                                                                                     JOANA
                                                                                                     MARIA

         ERMENEGILDO PELLARIN / GiUSTINA SECHINELLI  =  ANTONIETA
                                                                                                     ANGELIN
                                                                                                     ROSA
                                                                                                     HENRIQUETA
                                                                                                     PEDRO
                                                                                                     OLIMPIO
                                                                                                    ANÁLIA
                                                                                                    ANTONIO
                                                                                                     IRACY

                          LUIZA PELLARIN / ANTONIO GARDENAL  =  ANGELINA
                                                                                                     LUCIA
                                                                                                     LUIZ
                                                                                                     EZOLINO
                                                                                                     CARLOS
                                                                                                     TEREZA
                                                                                                     REINALDO
                                                                                                     CECÍLIA

                GENOVEVA PELLARIN / JOÃO BATISTA BALDO  =  MARIA
                                                                                                     AMÉLIA
                                                                                                     SANTA
                                                                                                     JÚLIA
                                                                                                     ANTONIO
                                                                                                      LUIZ
                                                                                                     AUGUSTO
                                                                                                     ERNESTO
                                                                                                     ÁLVARO
                                                                                                     OLIMPIO

                             JOÃO PELLARIN / CAROLINA ROSSATO  =  PAULO
                                                                                                      ERNESTINA
                                                                                                      ANTONIO
                                                                                                       LÚCIA
                                                                                                      JOSÉ
                                                                                                      IGNES
                                                                                                      MARIA
                                                                                                      CATARINA
                                                                                                      JULIA

                          DEZOLINA PELLARIN / AMBROSIO FERRO  =  DOMINGOS
                                                                                                      VIRGINIA
                                                                                                      NAIR
                                                                                                      PAULO

                             ANGELA PELLARIN / ANTONIO PINTON  =  MARIA
                                                                                                      PALMIRA
                                                                                                      SANTINA
                                                                                                      PEDRO
                                                                                                      ROSA
                                                                                                      AMÁLIA
                                                                                                      JOSÉ
                                                                                                      REGINA
                                                                                                      JÚLIA
                                                                                                       LUIZ

                                      LUIZ PELLARIN / OLGA GARDENAL  =  IRINEU
                                                                                                      OTHILIA
                                                                                                      OTILIA
                                                                                                      GENY
                                                                                                      IVAR
                                                                                                      PEDRO
                                                                                                      LOURDES (CRIAÇÃO)

                                       MARIA PELLARIN / JOÃO FARINA  =  DÉCIO
                                                                                                      DORIVAL
                                                                                                      ANA
                                                                                                      DIRCE
                                                                                                      IGNES
                                                                                                      RUTH


ELENCO COADJUVANTE: FAMÍLIA GARDENAL / PARPINELLI / MARCOLIN

______________________________________________________________________________________________________

NOTA:  Comentários, sugestões e subsídios que possam aprimorar esse site, favor enviar para
                                                      ppelarin@uol.com.br